
C. L. Salvaro,
Vista, 2010. Recorte em painel e vidro, 83,0
x 42,0 cm, adesivo metálico no ventilador, 1m diâmetro.
A
proposição do diálogo entre a pintura
de Victor Meirelles, “Vista do Desterro, atual Florianópolis”
(1874), e uma obra de autoria diversa tem como parâmetro
inicial apresentar duas representações da paisagem
da cidade de Florianópolis. A justaposição
de duas pesquisas visuais traz, nos interstícios de
sua aproximação, algumas reflexões importantes
acerca da história da arte e da cultura e de seus respectivos
contextos sociais.
Inicialmente é posto para o espectador a construção
de um conceito abrangente de paisagem, pensado como percepção
de determinado espaço e agregação de
novas camadas de significados ao que é visto. A paisagem
brasileira, inaugurada pelo olhar estrangeiro no período
de sua colonização, esteve quase sempre ligada
a projetos de nação. A modernidade trouxe ao
país o olhar pautado pela industrialização,
pelo mundo do capital e pela rápida transformação
da paisagem das cidades. A experimentação artística
da contemporaneidade coloca em questão um mundo em
incansável mudança e que exige novas percepções
de espaço-tempo.
Dois olhares, ancorados em poéticas visuais distintas,
evidenciarão também outras atitudes estéticas
e formais, observadas em sua linguagem e meios de representação.
A paisagem, que ganhou autonomia no século XVII, coloca
ao artista contemporâneo o dilema de pensar seu lugar
através de diferenciadas ações e posicionamentos
- intervenção direta, aporte crítico,
novos desafios formais, estratégias de ficcionalização,
reflexão sobre a imagem ou a reinvenção
do ato da contemplação.
Por último, na fricção entre temporalidades
diversas exercita-se o pensamento histórico, referido
entre visões singulares da cidade, e o entendimento
das artes visuais como uma leitura possível do mundo
– nossa paisagem.
Paulo R. O. Reis
Arquivo:

Raquel
Stolf, Escuta do Desterro [18-02-2010 + 18-10-2009], 2009-2010,
proposição sonora e desenho em caderno de anotação,
02:42 min
Zé Antônio Lacerda, Sou natural
daqui, 2002, fotografia - ação em processo,
39,6 x 49,6 cm

Carlos Asp
"Inútil
paisagem" (tríptico), 2003-2008, técnica
mista, dimensões variadas.
18 de agosto a 03 de dezembro de 2009

Vue de
l´Ile Ste. Catherine (Vista da Ilha de Santa Catarina).
desenhado por Duche de Vancy. gravado por Le Pagelet. Atlas
du Voyage de La Pérouse, nº 2. L´Imprimerie
de la Republique, Paris, 1797. (Gravura em metal, 40,7 X 57,6cm
e Gravura em metal colorida à mão, 28,3 X 43,5cm)
23 de abril a 07 de agosto de 2009

Rodrigo Cunha
"Manhã
Nublada", 2007, óleo sobre tela, 40x50cm. Coleção
particular.
10
de dezembro de 2008 até 24 de abril de 2009

Aldo Nunes
"Florianópolis",
1986, cartaz - técnica mista, 55x48cm. Acervo Museu
Victor Meirelles.
20 de agosto até 04 de dezembro de 2008

Diego
de los Campos
"Reflexão",
2008, grafite sobre papel, 66 x 95 cm
16 de abril até 20 de agosto de 2008

Dora
Longo Bahial
"Desterro",
2007, vídeo, 8'
12 de dezembro de 2007 até 10 de abril de 2008

Julia Amaral
"Pedras-grito",
2002, fotografia, 62 x 92cm
19
de setembro até 29 de novembro de 2007

Eli
Heil , “O
Morro”, 1982, óleo sobre tela
(Acervo Fundação Mundo Ovo Eli Heil)
25 de abril até 17 de setembro de 2007

Fabiana
Wielewicki
sem título, da série Paralaxe, 2000, fotomontagem
(coleção Fernando Lindote)
13 de dezembro de 2006 até 15 de abril de 2007

Eduardo
Dias, sem título, 1914, óleo sobre
tela
(coleção particular)
18 de agosto até 8 de dezembro de 2006

Daniel
Acosta
“butano eclipsed island, blackout nigth worklab”,
2003, fotografia, 30 x 45 cm.
19
de abril até 11 de agosto de 2006

Hassis, sem
titulo, 1974
04 até
18 de abril de 2006

Martinho de Haro “sem título”,
circa 1940
14 de dezembro de 2005 até 14 de abril de 2006

Yiftah Peled, sem título, 2001, instalação
17 de agosto até 11 de dezembro de 2005

Paulo Gaiad, "As Paredes do Campeche",
2003,
da série "as paredes que me cercam"
18 de maio até 14 de agosto de 2005
|