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Projeto
Diálogos com a Desterro, com Raquel Stolf
A exposição busca refletir sobre a dimensão da fotografia dentro da sociedade contemporânea. Segundo a artista, “a condição é pensar a fotografia como uma trama do irrealizável, capaz de engendrar um mecanismo que nos mantêm reféns do desejo de desejar”. No texto do crítico Fernando Lindote, elaborado para a exposição, é abordado o aspecto nonsense com o qual a artista nos coloca diante das obras. “Com recursos materiais simples, Milla Jung pode nos jogar no Espelho de Alice. Nas situações criadas por suas obras, as coisas do mundo mudam de lugar, e os códigos estabelecidos (e talvez por isso, esgotados de seiva simbólica), balançam, e nas fissuras desses pequenos tremores, podem nos surpreender por seus abismos”, analisa Lindote. Contudo, estas e outras questões poderão ser discutidas com a própria Milla Jung, no já tradicional Encontro com a Artista, evento que o Museu Victor Meirelles promove sempre uma hora antes das aberturas de exposições. No Encontro, Jung conversa com a platéia sobre sua obra e sua carreira. Nesta mesma data o Museu Victor Meirelles realiza ainda a 15ª edição do projeto “Diálogos com a Desterro”. A convidada desta edição é a artista Raquel Stolf, que apresenta a proposta Escuta do Desterro [18-02-2010 + 18-10-2009], composta por um desenho e um áudio, com pouco menos de três minutos de duração. Segundo Stolf, trata-se de uma “proposição sonora que faz parte do projeto Escuta do Desterro, desenvolvido desde 2009, que consiste em colecionar e mixar fragmentos de paisagens sonoras de Florianópolis, construindo outras proposições, outras paisagens acústicas a partir do processo de edição das gravações de campo. Esta proposição é composta pela junção de uma gravação feita na escadaria da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no centro da cidade (dia 18-02-2010, entre 15:00 e 16:00 horas) com uma gravação feita da janela de uma residência, na Lagoa da Conceição (dia 18-10-2009, entre 6:00 e 7:00 horas)”. A proposta do projeto Diálogos com a Desterro é estabelecer um contato entre a pintura de Victor Meirelles “Vista do Desterro, atual Florianópolis” (1874), e obras de outros artistas. A cada nova edição, uma obra diferente é apresentada no Museu, junto da obra de Victor Meirelles, evocando duas representações da paisagem da cidade de Florianópolis. Esta aproximação permite ao visitante exercitar o pensamento histórico, contrapondo visões particulares da paisagem urbana e também reflexões sobre a história da arte e da cultura. Sobre
as artistas: Raquel
Stolf é graduada em Licenciatura em Artes Plásticas
(1994-1999) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) onde
é professora nos cursos de graduação em Artes Visuais,
desde 2002. Mestre em Artes Visuais (2000-2002) pela UFRGS, em Porto Alegre,
onde cursa Doutorado em Artes Visuais desde 2007. Realizou algumas exposições
individuais, como "Barulho, ruído, rumor" (2009) e "Projeto
secreto ] estadias instáveis" (2005) na Fundação
Cultural de Criciúma, "FORA [DO AR]" (MASC, Florianópolis,
2004), "Espaços em branco" (Museu Victor Meirelles, Florianópolis,
2002) e "Ruídos do branco" (Torreão, Porto Alegre,
2002). Participa de exposições desde os anos 1990, entre
elas: "In-Sonora - V Muestra de Arte Sonoro e Interactivo" (Studio
Banana, Madri, 2009), "7a Bienal do MERCOSUL" ("Projeto
Radiovisual", Rádio FM Cultura, Porto Alegre, 2009), "Contin[g]ente"
(Centro Cultural Arquipélago, Florianópolis, 2009), "estado-escuta
\ estado cegueira" (Museu Casa das Onze Janelas, Belém, 2008).
Coordenou e propôs a publicação "Sofá"
e o Projeto "Membrana" na UDESC, entre 2002 e 2006. Publicou
os CDs de áudio "FORA [DO AR]" (2004) e "Lista de
coisas brancas – coisas que podem ser, que parecem ou que eram brancas"
(2001). |