ESPÍRITO DE PORCO ABRE A TEMPORADA 2010 DO CINEMA FALADO

O projeto Cinema Falado do Museu Victor Meirelles abre a temporada de 2010 na próxima quinta-feira, dia 25 de março, às 18h30min, exibindo Espírito de Porco, um dos filmes catarinenses recentes mais esperados e mais comentados, vencedor do Prêmio Cinemateca 2005, da Fundação Catarinense de Cultura.

O documentário foi lançado no final de 2009 e desde então tem participado de mostras e festivais, com destaque para a 15ª Edição do CINE-ECO - Festival Internacional de Cinema Ambiental, em Serra da Seia, Portugal, onde ganhou o Prêmio Especial do Júri, a Primeira Mostra Internacional Pelo Direito dos Animais, em Curitiba, ocasião em que foi premiado como Melhor Filme, além do 7º FestCine Amazônia, em Porto Velho, Rondônia, o IX FICA, em Goiânia, e ainda o 11º Festival Internacional de Documentários "Santiago Álvarez in Memoriam", em Santiago, Cuba, agora no início de Março de 2010.

Esta é a quinta temporada do projeto Cinema Falado, que sempre acontece às quintas-feiras, quinzenalmente, na Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles. Em todas as sessões, após o término da projeção, tem início um debate com a presença de um mediador, que faz a apresentação do filme e coordena as intervenções do público. Os mediadores desta sessão de Espírito de Porco serão os próprios diretores do documentário, Chico Faganello e Dauro Veras, que assinam também o roteiro.

Para defender sua espécie das difamações lançadas contra ela ao longo de séculos, um porco recém abatido volta à terra, na condição de espírito. O Espírito de Porco defende os suínos narrando a sua trajetória, desde o nascimento num estado do Sul do Brasil que tem uma das maiores concentrações de porcos do mundo, até quando a sua carne vai para a mesa. Ele discute a alimentação e a poluição; apresenta os humanos com quem convive e os problemas do seu cotidiano; defende o seu valor e busca semelhanças com as pessoas. E, na sua curta vida, revela algo que quase nunca é levado em conta: o ponto de vista do porco sobre a sua realidade. Esse ponto de vista nega, com veemência, que a sua espécie seja responsável pela poluição e pelas crises da suinocultura industrial, e deixa claro que os humanos têm uma responsabilidade maior pelas desgraças atribuídas ao porco.

Em seu blog http://espiritodeporco2009.blogspot.com/2009/10/o-doc-por-chico-faganello.html , o diretor Faganello comenta que quando lhe perguntam por quê decidiu fazer o filme, ele responde: “porque a água ficou muito suja. Porque não existem respostas para muitas coisas na criação industrial (quer dizer, respostas existem, mas cada um usa a que lhe convém). Porque ninguém pergunta se existe outro jeito de organizar a grande quantidade de dejetos. Porque a saúde é minha. Porque a consciência é minha. E o planeta e tudo o resto não pertence a grupos que vendem carne, ou a grupos que consomem carne, ou a grupos que detestam carne, ou a grupos que trabalham sem sujar, ou a grupos que trabalham sujando. Porque é um bicho popular, esse porco, quase banal.”

E complementa que “o filme pode ser alegre, e ao mesmo tempo sério, porque desmistifica, os porcos e os homens. Não deixei de comer carne de porco, nem de vaca, e nem deixarei tão cedo. Só diminuí um pouco, e bastante os embutidos, mas sobre isso todo mundo informado já pensa e vai pensar. Espírito de Porco é um documentário suinocêntrico. Em tom irônico, os porcos narram a sua existência, contam a sua história e sonham com uma vida em que tenham o direito de ser o que são. Eles vão mostrar que existem alternativas para cessar o silencioso desastre ecológico pelo qual, sem razão, levam a culpa.”

Chico Faganello é jornalista formado no Brasil com especialização em cinema na Itália e nos Estados Unidos. É professor nos cursos de cinema da UFSC e da Unisul. Dirigiu vários curtas, médias e também um longa-metragem, além de diversos programas de televisão na Itália e no Brasil. Dauro Veras é jornalista em Santa Catarina. Realizou coberturas na América Latina, Europa e Ásia. Fez roteiros para televisão e teve reportagens premiadas em turismo e economia. Em 2003 editou uma publicação ganhadora do Prêmio Esso de Jornalismo – Informação Ecológica. Atua no Observatório Social, organização que pesquisa o mundo do trabalho.

O Cinema Falado, que sempre abriu a temporada com um filme expressionista alemão, desta vez traz um filme catarinense para iniciar o ano. Nesta temporada de 2010 estão previstas mostras temáticas e ciclos de cinema ao longo do ano, além de cursos e exibições coletivas de produções independentes locais.

A grade do primeiro semestre já está fechada e tem como destaques os filmes O Processo, de Orson Welles, com mediação de Victor da Rosa, no dia 8 de abril; A Vida dos Outros, do diretor Florian Henckel von Donnersmarck, no dia 22 de abril, tendo Hans Jörg Hüeblin na mediação; dia 06 de maio, Latcho Drom, de Tony Gatlif, sendo mediadora Silvana Mariani; O Samurai, de Claude Chabrol, com mediação de Rosana Cacciatore, no dia 20 de maio; The Wall/Pink Floyd, do diretor Alan Parker, no dia 10 de junho, sendo mediador Josias Ricardo Hack, e no dia 24 de junho Sonata de Outono, de Ingmar Bergman, com a mediação de Clélia Melo.

O Museu Victor Meirelles fica na Rua Victor Meirelles, 59, Centro, Florianópolis, próximo à Praça XV de Novembro, ao lado do prédio da agência central dos Correios.

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Cinema Falado do Museu Victor Meirelles
Espírito de Porco, documentário, 52 min, HD, 2009
Mediação dos diretores Chico Faganello e Dauro Veras
Dia 25 de março, às 18h30min

Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles
Rua Victor Meirelles, 59 – Centro
Tel.: 48 3222-0692