Educação
Patrimonial
Fernando Romero
O tema que abordaremos a seguir vai fugir um pouco do campo
especificamente técnico da conservação.
Imagino que vocês tenham muitos anseios, muitas frustrações,
muitas perguntas nessa área, como todos nós temos
ao trabalharmos em qualquer setor da cultura. Muitas vezes a
solução e encaminhamento dos problemas não
estão dentro do nosso campo específico, estão
fora, além de nossas preocupações imediatas
com a conservação dos acervos nos museus, centros
culturais e ateliers. Atualmente a solução dos
problemas, que enfrentamos em nosso trabalho diário,
se localiza muito mais no campo da política, da educação,
da economia do que propriamente nas áreas específicas
da cultura.
Quando fui convidado para este evento, eu imediatamente me lembrei
de uma palestra de Maria de Lourdes Parreiras Horta, que assisti
há um tempo atrás. Ela falava da nossa inexorável
luta contra o tempo. É característica da área
da cultura essa preocupação, esse cuidado que
temos com as peças que estão sob nossa guarda.
Muitas vezes nos desesperamos ao vermos estes materiais se deteriorando,
essas coleções se depreciando, estes prédios
precariamente conservados e nós podendo fazer muito pouco
por sua preservação. Neste caso a sensação
é de que somos pessoas ou pequenos grupos solitários
empreendendo uma cruzada enorme, acima de nossas forças
e de nossas possibilidades.
Tudo isso tem a ver com uma coisa muito simples; existe uma
palavra que define bem a origem de todos estes problemas, é
a palavra ‘significado’. Eu gostaria de fazer uma
reflexão com vocês sobre o significado de conservar,
em que consiste, qual é a natureza destes acervos que
nós conservamos e, principalmente, para que conservamos.
A pergunta fundamental a responder é: ‘o que é
patrimônio?’ A primeira vista nos parece até
uma pergunta sobre o óbvio, sobre um tema do qual estamos
cansados de tratar. Mas as idéias sobre patrimônio,
que estão em constante evolução na sociedade,
definem diversas questões importantes como as políticas
públicas e a alocação de recursos humanos
e financeiros para o setor, a maneira como vamos montar um exposição,
as mensagens que estamos dirigindo aos nossos expectadores etc.
Quando eu falo patrimônio eu me lembro sempre de uma definição
de Maria de Lourdes Parreiras Horta: “patrimônio
é o que restará quando tudo que foi construído
se desmanchar no ar”. Ela está se utilizando de
uma citação de Berman, que lembra Marx, falando
sobre a condição moderna. Berman escreveu um livro
sobre este aspecto fluído, fugaz e provisório
de nossos tempos, concluindo, como Marx, que “tudo que
é sólido se desmancha no ar”. O que ela
quer dizer com isso? Ela quer dizer que patrimônio é
uma qualidade humana, é uma categoria interior do indivíduo
e dos grupos, que faz com que eles sempre recomecem, reconstruam
as suas vidas, por pior que sejam as condições,
por pior que esteja o mundo exterior. Eu tenho dentro de mim
aquela disposição, aquela qualidade, que posso
chamar também de herança que me dá todos
os meios para reconstruir tudo que foi construído antes.
Com isso eu tenho a capacidade de construir esses artefatos
todos, que estão sob nossa guarda nos museus.
Tudo isso tem a ver com significado, só reconstruímos
ou guardamos aquilo que é importante, que serve para
a continuidade de nossa vida, que nos fornece parâmetros
para continuar a viver a construir novos artefatos, novas obras
de arte, novas sociedades. Temos tido alguns sucessos nesse
processo de conservação, muitos fracassos também.
Pode-se evocar o caso das pirâmides egípcias, que
estão aí há quatro mil anos, e alguns outros
patrimônios na América Latina e mesmo no Brasil.
Mas o normal é a perda, a maior parte do que chamamos
de patrimônio material se perdeu. Desta forma o patrimônio
é uma herança que recebemos que nos ajuda a confirmar
nosso presente, nossa identidade. Toda a nossa ação
é realizada sobre este contexto, essa herança
que também serve para projetar o futuro. E o que são
os museus? São os espaços artificiais, concretos
nos quais é feita a representação dessa
realidade. Neste caso estamos trabalhando diretamente com significados.
Tomamos uma série de peças e lhes conferimos uma
significação. Este é um processo de comunicação
e, em alguns casos específicos, como no caso de comunicação
com as novas gerações, estamos tratando do processo
de educação.
Durante muitos anos estivemos praticando cultura, tratando dos
bens culturais sem lembrar da dimensão educativa de nossas
ações. Atualmente nos demos conta de que educação
e cultura são dois campos totalmente interligados, em
intima relação. Em primeiro lugar, porque a educação
está sempre ancorada e se realiza a partir de um contexto
cultural. A educação não acontece no ar,
a educação acontece sempre dentro de parâmetros
que são dados pelo meio cultural. Em segundo lugar porque
seria ótimo que se optasse por praticar educação
a partir de um contexto cultural próprio, da realidade
da escola, da comunidade, da região. Não que a
educação fosse tratar unicamente da realidade
imediata, mas que o seu contexto cultural servisse inclusive
de parâmetro, de ponto de partida para tratar, analisar,
julgar outras culturas, para projetar o futuro, para tentar
um projeto de nação. Portanto sempre, consciente
ou inconscientemente, estamos ensinando nas nossas escolas nos
nossos museus dentro de um contexto cultural.
Por outro lado, a cultura sempre tem uma dimensão de
comunicação e de educação. Não
se faz cultura sozinho; sempre, quando falo de cultura, estou
mostrando alguma coisa para alguém, estou escrevendo
para alguém ler, estou dançando com alguém,
de alguma maneira eu estou interagindo e essa interação
é educativa. Sempre vai haver uma dimensão educativa
que não precisa ser explícita como no caso dos
museus ou das escolas. Quando um grupo de jovens se reúne
para montar uma peça de teatro, mesmo sem a presença
de um professor, ou de alguém dirigindo, haverá
uma interação. Representando, ensaiando, eles
estão, de alguma maneira, se educando, existe uma comunicação
que é educativa. Portanto a cultura sempre terá
uma dimensão educativa, fato do qual nós geralmente
nos esquecemos nos nossos museus, nas nossas atividades culturais.
Geralmente quando se trabalha com a cultura em nossas instituições
culturais e na escola se trabalha com a idéia de cultura
como pacote. Cultura é uma entidade, patrimônio
é uma coisa, arte é um conteúdo, tudo isso
é tratado como um pacote que tem que ser transmitido,
tem que ser dado, transportado para a cabeça dos jovens
e crianças que não os conhecem. Existe em educação
um conceito chamado ‘educação bancária’,
criado por Paulo Freire que define esta forma de ensino na qual
o professor possui os conhecimentos armazenados dentro de si
e esse conhecimento é passado para o aluno e vai se depositando
em sua memória. Quanto mais conhecimento depositado dentro
de si, melhor para o aluno, que vai teoricamente ter mais sucesso
na vida. Portanto este termo ‘educação bancária’
é muito feliz, pois mostra essa visão quantitativa
de uma coisa que não tem significado nenhum. Voltamos
à palavra ‘significado’. Examinando nossas
atividades nos museus, notamos que na maioria das vezes, fazemos
a mesma coisa, nos esquecemos de uma série de dimensões
da cultura que dão significação para estas
atividades. Esquecemos, por exemplo, que a cultura é
uma atividade prática, a cultura é sempre produção
em cima de alguma coisa, é criação é
trabalho. Se uma criança ou um jovem vem ao museu, olha
uma exposição e vai para casa, não aconteceu
nada com ele. No entanto se ele se apropria daquele conteúdo
e o transforma numa outra coisa, ele está produzindo
cultura. É assim que se dá a transmissão
cultural, é por isso que a cultura evolui, por isso que
a cultura não é sempre a mesma, ela vai tomando
aportes de diversas origens e vai evoluindo.
Outra dimensão que geralmente esquecemos é que
a cultura é uma relação social, ela sempre
se dá nos grupos, sempre se dá em sociedade. Esses
grupos estão interagindo uns com os outros e neste processo
estão envolvidas relações de poder. Portanto,
cultura é uma relação de poder, porque,
sendo uma relação de grupos que estão interagindo
dentro de uma sociedade, vai refletir os conflitos, as alianças
entre estes grupos. A cultura vai refletir a posição
desses grupos que não são homogeneamente distribuídos
na sociedade, uns dominam os outros, uns tem mais ‘valor’
que outros. É isso que determina inclusive a configuração
da cultura dentro de uma sociedade, os grupos de maior poder
impõem sua cultura aos outros grupos, fazem valer para
o geral da população uma cultura que é
deles e que vem atender os seus interesses próprios.
Podemos exemplificar isso com a noção de democracia
racial no Brasil; as três raças construindo a nação
brasileira, o negro o branco e o índio, sem conflito
nenhum. Aqui mesmo em nosso estado temos a idéia do mosaico
cultural catarinense, que é muito divulgada e já
se tornou até bandeira política. É a noção
de que italianos, alemães, açorianos e outros
construíram harmoniosamente uma sociedade democrática,
plural, progressista, inclusive uma das mais desenvolvidas do
país. Não levam em consideração
como foi a construção desse mosaico cultural,
os conflitos, os interesses, as hegemonias.
A educação é um dos aspectos do processo
maior de socialização. Os sociólogos falam
que socialização é a transmissão
da cultura pelos mais velhos para os grupos mais jovens. Essa
cultura é transmitida através de instituições.
A família, a igreja e a escola são as mais tradicionais
instituições de socialização. Atualmente
são consideradas em decadência no desempenho deste
papel, pois existe outra instituição que está
em alta neste processo de transmissão cultural: os meios
de comunicação de massa.
Mas a família ainda desempenha um importante papel na
socialização das crianças na transmissão
daquilo que o sociólogo francês Pierre Bourdieu
chama de ‘capital cultural’. O autor diz que cada
família transmite aos seus filhos um capital cultural
desde a infância. Ele se constitui de disposições
e valores que são transmitidos desde cedo por vias indiretas,
por osmose, por imersão e repetição. A
criança, imersa naquele meio familiar, participando de
diversas experiências, emocionalmente muito intensas,
está absorvendo toda aquele ambiente, aqueles valores,
aquelas disposições. Esse capital cultural vai
definir muita coisa na vida desse sujeito, vai definir a atitude
dele diante da vida, diante da escola, da profissão.
Porque as crianças de classe baixa vão mal nas
escolas públicas? Porque o capital cultural transmitido
por sua família não tem valor nenhum na escola
que é moldada para crianças de classe média.
As crianças de classe baixa não estavam mergulhadas,
como as crianças de classe média, num ambiente
de estímulos, livros, informações e até
de expectativas de seus pais quanto a seu sucesso na escola.
A freqüência a museus, teatros, cinema não
está presente na experiência de crianças
de classe baixa. Estamos falando aqui em criança de classe
popular que constituem a grande maioria da população
brasileira. Esse capital cultural vai definir a vida dele na
escola, no trabalho, define até suas aspirações
para a vida adulta. O jovem, quando chega a uma determinada
idade, sabe muito bem sua posição na escala social.
Ele sabe até que ponto pode ir, passando deste ponto,
ele não tem capital cultural para ir adiante. Portanto
as aspirações, o que eu quero ser na vida estão
um tanto determinados desde da infância por aqueles valores
que os pais passaram e este capital cultural está ligado
à situação de classe.
O que tudo isso tem a ver com o patrimônio e com a cultura?
O problema é que na transmissão desse capital
cultural pela família para as crianças de classe
popular não existe nenhuma alusão a patrimônio,
a cultura, a obras de arte, a museus. Nada disso tem significado
para esses jovens e crianças. Esses bens culturais que
eu, com todo cuidado possível, empenhando a minha vida,
tento preservar e transmitir através dos museus, através
da minha atividade de conservação, isso não
tem sentido nenhum para a maioria dos jovens brasileiros. O
sociólogo que criou o conceito diz que a escola não
consegue recuperar esse capital cultural. Nós, que militamos
nesta área, estamos lutando para que a escola pública
consiga repor esse capital cultural que ficou defasado na primeira
infância.
Isto significa que, ao termos uma escola de baixa qualidade,
estamos negando a essas crianças o direito de usufruir
desse patrimônio e este é um direito do cidadão.
Atualmente estamos discutindo os direitos culturais e este é
o direito a uma herança comum. É o direito a ter
aquela qualidade interior que dá a capacidade de reconstruir,
de repor, de transformar o patrimônio e de construir e
ter uma identidade, de construir a própria pessoa. Isso
é uma perspectiva terrível para toda uma geração.
Existe uma diferença muito grande entre treinamento e
formação. O treinamento trata daquelas capacidades,
muitas vezes motoras, ás vezes intelectuais, que eu tenho
que desenvolver quando eu estou aprendendo determinadas técnicas.
Formação é diferente, tem a ver com valores,
tem a ver com desenvolver e refletir sobre finalidades, sobre
para onde nós vamos, o que queremos para nossa vida.
Este aspecto a educação esqueceu desde que se
institui a tecnocracia, no caso na América Latina, na
década de 70. A dimensão formativa, que ficou
esquecida, existiu na educação tradicional. Havia
uma preocupação grande com a formação.
Claro que era uma formação conservadora, formava-se
o bom cristão, o cidadão cumpridor de seus deveres,
o filho obediente ao pai. Eram valores conservadores, mas havia
essa preocupação com a formação,
que acabou, nos anos 70. Foi deixada de lado por todos os sistemas
educacionais, preocupados, de um lado, com a eficiência,
as avaliações, as técnicas de ensino e,
de outro, com o vestibular e o mercado de trabalho. Portanto
a formação pode ser definida como aquilo que restou
quando esquecemos de todos os conteúdos que aprendemos
na escola e tem como produto um sistema de valores solidamente
internalizados. Quando falamos em relação entre
educação e cultura pensamos nessas experiências
que são formativas e pretendem tocar do intimo do individuo.
O patrimônio deve ser trabalhado na escola e nos museus
para que se possa refletir sobre o que somos, o que nossos pais
nos legaram, como nos relacionamos com nossos semelhantes e
para e projetar o futuro.
Quanto ao termo ‘educação patrimonial’,
que é o título da palestra, podemos dizer que
é o termo usado pra definir essa relação
entre educação e cultura. A expressão foi
introduzida no Brasil há mais de vinte anos por Maria
de Lourdes Parreiras Horta e significava educação
em museus. Havia uma definição clássica:
“educação patrimonial é o ensino
centrado no objeto, que usa os objetos no museu pra ensinar”.
É uma noção meramente instrumental de educação.
Hoje esse conceito evoluiu muito e é usado no sentido
formativo. Muitos profissionais da área não gostam
do termo, pois a palavra ‘patrimonial’ está
ligada erroneamente a passado, portanto acham que o termo não
é adequado. Outra crítica que se faz é
a de que, ao tratar de educação patrimonial, eu
estou mais uma vez compartimentando a realidade em extratos,
em disciplinas e os educadores estão a muitos anos num
processo de descompartimentação da educação,
isto é, acabar com as gavetinhas de conhecimento no processo
educativo. Já temos escolas que não têm
mais aula de geografia, de história, de química.
Trabalha-se com projetos, estuda-se determinados conteúdos,
determinados problemas, e neste processo vão entrando
os aportes das diversas disciplinas. Na verdade trata-se de
estudar um determinado tema através de todos os seus
aspectos, não só pelo aspecto da cultura, da tecnologia,
ou do direito, ou da sociologia, mas também eu devo estudar
pelo aspecto do meio ambiente etc. Hoje, por exemplo, na área
de patrimônio está se considerando também
o meio ambiente: é o conceito de patrimônio global,
que envolve o meio ambiente físico e o patrimônio
cultural. Existe ainda uma tendência mais recente que
leva em conta também o ambiente tecnológico onde
estamos completamente inseridos, principalmente as novas tecnologias
de comunicação e informação. Em
nossas escolas e museus, a tecnologia e o meio ambiente não
têm nada a ver com patrimônio. Portanto devemos
usar o conceito mais global, com essa visão de totalidade
da educação e que considera o meio ambiente, o
patrimônio cultural e a tecnologia como facetas de um
presente, de uma situação em que estamos envolvidos
hoje em dia.
A educação patrimonial revelou-se um campo muito
fértil; existem vários exemplos de atividades,
de projetos que estão acontecendo pelo Brasil todo. Já
temos universidades que criaram departamentos, que têm
centros de estudos de educação patrimonial, existem
projetos de governo e setores na burocracia estatal dedicados
a este tema. Poderíamos citar várias ações,
mas para ficarmos mais próximos, eu citaria o caso do
museu Victor Meirelles que pratica educação patrimonial
da melhor qualidade. Existe também uma pequena experiência
realizada em Laguna, no ano passado com a rede municipal de
educação. Procurou-se nesta iniciativa evitar
ações que ficam restritas a projetos específicos,
ou a trabalhos solitários de professores motivados, ou
mesmo ações de instituições que
realizam determinado projeto de educação patrimonial
e, ao se retirarem, estas ações não subsistem.
A estratégia foi a realização de um curso
de 80 horas para os professores da rede municipal onde foram
tratados, através de um programa aberto, temas da cultura,
do patrimônio, do meio ambiente, da tecnologia, das mídias
e outros assuntos que afligem os professores e a cidade. Durante
o curso foi se elaborando um material didático e também
um pré-roteiro de um vídeo sobre a cultura e o
meio ambiente de Laguna. Mais tarde esse material didático
e o roteiro foram tratados por especialistas e se transformados
num vídeo e numa revista sobre a cidade. Os professores,
além de terem participado da elaboração
do material impresso, participaram também da concepção
e pesquisa para o roteiro e da gravação do vídeo.
Com isso eles se sentem responsáveis, pois são
autores dos materiais. Não foi um projeto vindo de fora,
não foi uma imposição da secretaria de
educação. Tudo foi feito de uma maneira participativa
e isso fez com que eles se sentissem responsáveis e que
apliquem e divulguem estas idéias, estas ações.
A última parte do curso foi de planejamento e coincidiu
com o inicio do ano letivo, quando foram produzidos planos de
ensino prevendo estas temáticas e a aplicação
dos materiais. Outro aspecto interessante foi o diálogo
e o intercâmbio entre os professores das escolas e o pessoal
de cultura de Laguna, os técnicos do IPHAN, o pessoal
ligado ao meio ambiente.
Para continuar com exemplos próximos, podemos citar também
uma ação maior que faz parte de uma política
de uma instituição pública. É um
exemplo muito interessante de educação patrimonial
do Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade
Federal de Santa Catarina. Há dez anos o Núcleo
desenvolve um trabalho de preservação e divulgação
da cultura que eles chamam de cultura de base açoriana.
Apesar do trabalho ser contestado por alguns setores, eles são,
de alguma forma, responsáveis por esse renascimento,
essa valorização da cultura litorânea de
Santa Catarina, que até 20 anos atrás estava praticamente
extinta. Hoje está muito ativo um movimento de discussão,
culto e valorização em torno desta cultura que
podemos considerar positivo, pois deu voz, legitimidade e colocou
em evidência um dos contextos culturais do chamado ‘mosaico
catarinense’ formado pela cultura litorânea, pelas
populações de origem açoriana que eram
relegadas a um plano inferior frente à hegemonia das
outras contribuições étnicas, principalmente
alemãs e italianas. Este caso se constitui num exemplo
de como uma política pública, desenvolvida através
de uma universidade federal, pode ter um efeito concreto sobre
um processo cultural vivo, que envolve milhares de pessoas.
Autores
citados:
HORTA,
Maria de Lourdes Parreiras. Diretora do Museu Imperial de Petrópolis,
introduziu
a educação patrimonial no Brasil, desenvolveu
estudos e publicou trabalhos nesta área.
BERMAN,
Marshall. Tudo o que é sólido desmancha no ar.
FREIRE,
Paulo. Educador brasileiro com diversas obres sobre educação
e cultura.